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11 . Julho

Desenvolvimento econômico e feliz

O nosso modelo de produção é constantemente repensado. Seja pelo surgimento de novas tecnologias ou mudanças na estrutura da sociedade, a economia adapta-se junto. Temos diversos exemplos ao longo da História: as máquinas a combustão, a eletricidade ou a migração em massa do campo para as cidades. Hoje vivemos uma série de quebras de paradigmas. A internet está na palma de nossa mão, na indústria, nas nossas relações pessoais – em quase qualquer ambiente e interação. E isso afeta diretamente nosso mercado de trabalho.


A automação da produção e as ferramentas de comunicação encurtaram fronteiras e prazos. E, com estas tecnologias, o desenvolvimento econômico experimentou uma nova fase, em que a produção assertiva e constante concederam um crescimento antes impensável. Porém, algo aconteceu no meio do caminho.


A noção de que não só o desenvolvimento econômico é importante, mas que a felicidade das pessoas move a economia ¬– e deve ser o objetivo final da nossa sociedade – tem se tornado cada vez mais importante. A ideia surgiu em 1972 no Butão, um país encravado nas cordilheiras do Himalaia. Por lá, eles medem a Felicidade Interna Bruta (FIB). E não é algo simples. Para medir a FIB, são consideradas nove dimensões, como Bem-estar psicológico, saúde e acesso a educação e cultura (saiba mais no final do texto).


O método foi reconhecido pela ONU em 2012, mesmo ano em que um estudo da Standford Business School descobriu que a felicidade aumenta a produtividade e gera inovação. A medição leva bastante em conta a atividade profissional e como as pessoas se relacionam com ela. E não estamos falando de todo mundo virar artista ou astronauta. A pesquisa leva em conta as aptidões, o acesso a qualificação e estabilidade financeira, por exemplo. Se argumenta que isso é essencial para uma vida mais feliz e uma produção maior. Afinal, as pesquisas apontam que não é o trabalho em si que gera stress ou até mesmo doenças como ansiedade e depressão, mas as condições em que ele é feito.


Uma pessoa que não se desliga do trabalho durante a semana tem muito mais chance de ser infeliz do que alguém que tem uma jornada de trabalho mais delimitada – e não extenuante, claro. Não se trata de diminuir a produção e frear o desenvolvimento econômico. Muito pelo contrário. O próprio Butão, um país com um PIB bastante ruim pensa em elevar as condições de produção e trabalho justamente para criar mais felicidade.
Afinal, as tecnologias trazem mais benefícios do que malefícios. Só que, como nas outras revoluções tecnológicas, devemos entender o limite entre aumento de produção e felicidade.


As nove dimensões da Felicidade Interna Bruta:



1)Bem-estar psicológico

Avalia o grau de satisfação e de otimismo que cada indivíduo tem em relação a sua própria vida. Os indicadores incluem a prevalência de taxas de emoções tanto positivas quanto negativas, e analisam a autoestima, sensação de competência, estresse, e atividades espirituais.


2) Saúde

Mede a eficácia das políticas de saúde, com critérios como auto avaliação da saúde, invalidez, padrões de comportamento arriscados, exercício, sono, nutrição, etc.


3) Uso do tempo

O uso do tempo é um dos mais significativos fatores na qualidade de vida, especialmente o tempo para lazer e socialização com família e amigos. A gestão equilibrada do tempo é avaliada, incluindo tempo no trânsito, no trabalho, nas atividades educacionais, etc.


4) Vitalidade Comunitária

Foca nos relacionamentos e interações nas comunidades. Examina o nível de confiança, a sensação de pertencimento, a vitalidade dos relacionamentos afetivos, a segurança em casa e na comunidade, a prática de doação e de voluntariado.


5) Educação

Leva em conta vários fatores como participação em educação formal e informal, competências, envolvimento na educação dos filhos, valores em educação, educação ambiental, etc.


6) Cultura

Avalia as tradições locais, festivais, valores nucleares, participação em eventos culturais, oportunidades de desenvolver capacidades artísticas, e discriminação por causa de religião, raça ou gênero.


7) Meio Ambiente

Mede a percepção dos cidadãos quanto a qualidade da água, do ar, do solo, e da biodiversidade. Os indicadores incluem acesso a áreas verdes, sistema de coleta de lixo, etc.


8) Governança

Avalia como a população enxerga o governo, a mídia, o judiciário, o sistema eleitoral, e a segurança pública, em termos de responsabilidade, honestidade e transparência. Também mede a cidadania e o envolvimento dos cidadãos com as decisões e processos políticos.


9) Padrão de vida

Avalia a renda individual e familiar, a segurança financeira, o nível de dívidas, a qualidade das habitações, etc.

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